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Fertilizante de eficiência aumentada: o que é, como funciona e por que sua indústria precisa saber

Redação FertMinas
Publicado em: 06/08/2026

O problema que o fertilizante convencional não resolve sozinho

O fertilizante convencional faz o que promete: entrega o nutriente ao solo. Mas entre a aplicação e a absorção pela planta, acontece muita coisa.

No caso do nitrogênio, o mecanismo da perda é bem conhecido. A urease, enzima produzida por microrganismos e presente também nos resíduos vegetais na superfície do solo, hidrolisa a ureia rapidamente. A reação forma carbonato de amônio e eleva o pH na vizinhança do grânulo. É esse aumento localizado de pH que desloca o equilíbrio do nitrogênio amoniacal para amônia gasosa, que se perde para a atmosfera antes de chegar à planta.

A magnitude da perda varia muito com solo, clima e sistema de cultivo. A literatura brasileira registra que a volatilização de amônia a partir de ureia aplicada em superfície pode chegar a cerca de 60% do nitrogênio aplicado em condições desfavoráveis, como alta temperatura, baixa umidade e presença de palhada (Lara Cabezas et al., 1997). Em condições médias os valores são bem menores, mas concentrados nos primeiros dias após a aplicação, o que dá pouca margem de manobra ao produtor.

No caso do fósforo, o problema não é perda para a atmosfera, é indisponibilidade. Boa parte dos solos agrícolas brasileiros passou por intemperismo avançado e é rica em óxidos de ferro e alumínio. Quando o fósforo solúvel do fertilizante entra em contato com essas superfícies, ocorre adsorção específica, por troca de ligantes, e também precipitação na forma de fosfatos de ferro e alumínio. A acidez agrava o quadro, porque aumenta a solubilidade do alumínio na solução do solo. O resultado prático é o mesmo: o nutriente está no solo, mas indisponível para as raízes.

Essas perdas não são novidade para quem trabalha no setor. O que mudou é a disponibilidade de tecnologias industriais capazes de atuar sobre esses mecanismos direto na linha de produção.

O que define um fertilizante de eficiência aumentada

Fertilizantes de eficiência aumentada (FEA) são produtos que passaram por um processo industrial adicional com o objetivo de reduzir perdas e aumentar a eficiência de uso do nutriente pela planta. A diferença central em relação ao convencional está no mecanismo: o FEA age na interface entre o grânulo e o ambiente, interferindo em quando, como e sob que forma o nutriente fica disponível.

A classificação consolidada na literatura técnica, adotada por referências como Trenkel e pela Embrapa, organiza esses produtos em três grupos.

Fertilizantes estabilizados

São aqueles tratados com moléculas que interferem nas reações do nutriente no solo sem alterar a taxa de liberação. É o caso dos inibidores de urease, como o NBPT, e dos inibidores de nitrificação. Vale a precisão técnica: o NBPT é um pró-inibidor. No solo ele é convertido ao seu análogo oxigenado, o NBPTO, que é a molécula que efetivamente inibe a urease, de forma competitiva e reversível. O efeito é retardar a hidrólise da ureia, dando tempo para que a chuva ou a irrigação incorporem o nitrogênio antes que ele volatilize.

Fertilizantes de liberação lenta

A liberação do nutriente é mais lenta que a do fertilizante convencional, mas continua dependente das condições de solo e clima, o que torna a previsão menos precisa.

Fertilizantes de liberação controlada

Aqui o recobrimento funciona como barreira física que regula a passagem do nutriente para a solução do solo. A taxa, a duração e o formato da curva de liberação são definidos no processo industrial e sofrem pouca influência das condições ambientais, o que torna o comportamento mais previsível.

Um ponto que merece atenção da indústria: no Brasil, a designação de fertilizantes especiais em rótulo tem definições e exigências próprias no arcabouço regulatório do Ministério da Agricultura. Antes de rotular ou comunicar um produto como de eficiência aumentada, vale confirmar os requisitos vigentes junto à área regulatória.

Onde o fertilizante de eficiência aumentada nasce

Esse é o ponto que o mercado ainda não absorveu por completo: o fertilizante de eficiência aumentada não nasce no campo. Nasce na linha de produção industrial.

É no processo de granulação e recobrimento que as tecnologias são incorporadas ao grânulo, definindo sua performance agronômica final. Para misturadoras, granuladoras e portos, isso representa uma oportunidade concreta de diferenciação: transformar commodities em produtos com maior valor agregado, argumento técnico robusto e posicionamento diferenciado no mercado.

A decisão não é feita na hora da aplicação. É feita na escolha das tecnologias que entram na linha de produção.

O papel do recobrimento industrial

Recobrimento, no dia a dia da indústria, é um conceito mais amplo que a barreira de liberação controlada. A camada aplicada sobre o grânulo pode cumprir funções distintas e complementares.

Pode proteger o grânulo do ponto de vista físico, reduzindo geração de pó e empedramento, o que preserva a qualidade do lote da fábrica até a aplicação. Pode veicular ativos com ação agronômica específica, atuando sobre um mecanismo de perda determinado, como a inibição da urease no caso do nitrogênio ou a redução da complexação do fósforo com ferro e alumínio. E pode servir de veículo para nutrientes complementares, garantindo que cada grânulo carregue a mesma dose.

Esse último caso merece uma distinção honesta. Uma suspensão estabilizada de micronutrientes, como a do MicroPlus M+, resolve homogeneidade de distribuição: assegura que zinco, manganês, boro, cobre e molibdênio estejam presentes em todos os grânulos, sem sedimentação e sem etapas extras de emulsão na linha. É um ganho industrial e agronômico relevante, mas é um ganho de uniformidade, não um mecanismo de eficiência aumentada no sentido técnico do termo. Tratar as duas coisas como sinônimo enfraquece o argumento diante de um interlocutor técnico.

Por que isso importa para a indústria agora

O mercado brasileiro de fertilizantes fechou 2025 com 49,11 milhões de toneladas entregues, recorde histórico e alta de 7,7% sobre as 45,61 milhões de toneladas de 2024, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O crescimento acompanhou a safra recorde de grãos, que chegou a 346,1 milhões de toneladas no mesmo período, de acordo com o IBGE.

Volume maior significa pressão maior por eficiência. O produtor que compra fertilizante exige mais resultado por tonelada aplicada. A distribuidora que revende precisa de argumento técnico para diferenciar o produto. A misturadora que formula quer entregar mais valor ao lote sem reestruturar a linha.

É exatamente aí que as tecnologias de recobrimento se encaixam: são incorporadas ao processo existente, na etapa em que o produto já passa, sem exigir a reconstrução da planta.

A FertMinas desenvolve tecnologias de recobrimento, estabilização e inibição aplicadas na linha industrial de fertilizantes. Fale com nosso time técnico.

Fontes

ANDA, Associação Nacional para Difusão de Adubos. Entregas ao mercado brasileiro, dados consolidados de 2025, divulgados em março de 2026.

IBGE. Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, safra de grãos 2025.

LARA CABEZAS, W. A. R.; KORNDÖRFER, G. H.; MOTTA, S. A. Volatilização de N-NH3 na cultura de milho, 1997. Referência citada em publicações da Embrapa sobre volatilização de amônia a partir de ureia aplicada em cobertura.

TRENKEL, M. E. Slow and controlled-release and stabilized fertilizers, IFA. Classificação de fertilizantes de eficiência aumentada, adotada em materiais técnicos da Embrapa.

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