Redação FertMinas
Publicado em: 04/09/2026
A FertMinas esteve presente na 13ª edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes (CBFer), realizada em 25 de agosto, em São Paulo. Promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o encontro reuniu representantes da indústria, especialistas e diferentes elos da cadeia para discutir os desafios que influenciam o abastecimento e a competitividade dos fertilizantes no Brasil.
A edição de 2026 registrou participação recorde, com cerca de 1.000 pessoas presencialmente e mais de 3.600 participantes no ambiente digital, incluindo mais de 350 representantes de outros países. O alcance do congresso reforça a dimensão internacional de um mercado diretamente ligado à produtividade do agronegócio brasileiro.
Um mercado influenciado pelo cenário internacional
A segurança do abastecimento esteve entre os principais temas do CBFer 2026. A elevada participação dos produtos importados na oferta brasileira faz com que movimentos no mercado internacional possam repercutir sobre preços, disponibilidade e custos para toda a cadeia.
Conflitos geopolíticos, eventos climáticos, restrições comerciais e dificuldades logísticas estão entre os fatores capazes de alterar as condições de fornecimento. Diante desse cenário, os debates apontaram para uma estratégia que combine o fortalecimento da produção nacional com a diversificação das fontes externas de abastecimento.
A discussão, portanto, vai além da busca por autossuficiência. O desafio está em construir uma cadeia com maior capacidade de resposta diante de mudanças no mercado, ampliando alternativas de fornecedores, rotas e soluções logísticas.
Infraestrutura, armazenagem, transporte, segurança jurídica e previsibilidade regulatória também fazem parte dessa equação. Para o setor, avanços nessas áreas são necessários para reduzir custos, estimular investimentos e aumentar a competitividade da indústria brasileira de fertilizantes.
Geopolítica, custos e novas oportunidades
Foi nesse ambiente de transformações que o CEO da FertMinas, Vinicius Paiano, analisou o momento vivido pela indústria. Para ele, a combinação entre cenário geopolítico e disponibilidade de matérias-primas impõe novas exigências às empresas do setor.
“A geopolítica e a escassez de enxofre pressionam matérias-primas e custos de forma que exige atenção constante. Nesse cenário, eficiência e gestão de custos deixaram de ser diferencial e passaram a ser condição para competir.”
A avaliação aponta para uma mudança na dinâmica competitiva da indústria. Em um mercado submetido a pressões externas, a capacidade de tornar processos mais eficientes, administrar custos e responder rapidamente às mudanças passa a ocupar um espaço cada vez maior nas estratégias das empresas.
Mas o cenário de pressão também pode abrir espaço para novos caminhos. Na avaliação do CEO, economia circular, aproveitamento de resíduos e subprodutos, biológicos, bioinsumos e novas tecnologias voltadas à eficiência nutricional representam oportunidades para a indústria avançar.
Nesse movimento, inovação deixa de estar associada apenas ao desenvolvimento de novos produtos e passa a envolver também processos, modelos de produção e formas de aproveitar melhor os recursos disponíveis.
O produtor no centro da transformação
Outro aspecto destacado por Vinicius é a evolução do perfil do produtor rural. Mais informado e aberto à tecnologia, ele passa a demandar soluções capazes de demonstrar seu valor na prática.
“O produtor rural mudou. Está mais exigente, mais informado e mais aberto à tecnologia. Cabe a nós corresponder a esse nível, e nada gera mais confiança do que resultado demonstrado no campo.”
A afirmação aproxima a discussão industrial da realidade do campo. Para além da oferta de produtos, a relação entre indústria e produtor passa a envolver conhecimento, desenvolvimento tecnológico e capacidade de comprovar resultados.
Esse movimento também se conecta a outro tema presente no CBFer: a necessidade de aumentar a eficiência no uso dos fertilizantes. Tecnologias de manejo e soluções voltadas à eficiência nutricional podem contribuir para um melhor aproveitamento dos nutrientes, redução de desperdícios e maior produtividade.
Uma indústria diante de uma nova agenda
Os debates do CBFer 2026 mostraram que os desafios da cadeia de fertilizantes estão conectados. Produção nacional, importações, logística, infraestrutura, regulação, custos e inovação não podem ser analisados de forma isolada.
Para a FertMinas, estar presente nesse ambiente de discussão significa acompanhar de perto as transformações que impactam a indústria e o agronegócio brasileiro, além de contribuir para um diálogo que envolve diferentes perspectivas sobre o futuro do setor.
Ao refletir sobre o congresso, Vinicius Paiano resumiu sua percepção sobre o papel da indústria diante desse cenário: “o que fica para mim é que a indústria tem um papel ativo na construção do futuro do agro brasileiro. Inovação, capacidade de adaptação e proximidade com o produtor são o que transformam um cenário desafiador em oportunidade.”
Mais do que um espaço para discutir os desafios atuais, o CBFer 2026 reforçou a importância da construção conjunta de uma cadeia de fertilizantes mais preparada para responder às mudanças do mercado e às necessidades do agronegócio brasileiro.





