Centro reúne especialistas, pesquisadores e empresas do setor para desenvolver soluções adaptadas à agricultura tropical. Com apoio da FertMinas entre as empresas participantes da iniciativa, a inauguração reforçou discussões sobre inovação, tecnologia e segurança produtiva no agro brasileiro.
Redação FertMinas
Publicado em: 13/05/2026
Em um cenário marcado por instabilidades geopolíticas, alta dependência de importações e crescente demanda por produtividade no campo, o Brasil deu mais um passo estratégico para fortalecer sua autonomia no setor de fertilizantes. Foi inaugurado, no final de abril (30), na Universidade Federal de Viçosa (UFV), o CEFENP (Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas) Hub Fosfatados.
A iniciativa integra as ações do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) e reúne universidade, indústria, governo, startups e instituições de pesquisa com um objetivo em comum: desenvolver soluções mais eficientes, sustentáveis e adaptadas à realidade da agricultura tropical brasileira.
A FertMinas, uma das empresas apoiadoras dessa iniciativa, esteve presente na inauguração e acompanha de perto as discussões que envolvem inovação, segurança produtiva e o futuro da fertilização no país.
Um desafio estratégico para o Brasil
Apesar de ocupar posição de destaque entre os maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda depende fortemente da importação de fertilizantes. Atualmente, cerca de 95% dos insumos consumidos no país vêm do mercado externo, cenário que expõe o agronegócio brasileiro às oscilações internacionais, crises logísticas e conflitos geopolíticos.
Para o reitor da UFV, Demetrius David da Silva, a criação do CEFENP representa uma resposta estratégica para um problema histórico. “Não faz sentido um país como o Brasil, que é uma potência agrícola mundial, continuar dependente da importação de fertilizantes. O CEFENP representa inovação, sustentabilidade e uma oportunidade real de fortalecer a independência produtiva do país”, destacou.
Segundo ele, a iniciativa chega em um momento decisivo, especialmente diante dos impactos causados por conflitos internacionais como a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões envolvendo o Oriente Médio, que afetam diretamente o fornecimento global de fertilizantes e energia.
O reitor também destacou a importância da participação do setor produtivo na construção do projeto, incluindo empresas comprometidas com inovação e desenvolvimento do agro nacional. “É extremamente importante ter empresas como a FertMinas participando da organização dessa ação estratégica para o nosso país”, afirmou Demetrius David da Silva.
Ciência, indústria e governo na mesma direção
Um dos diferenciais do CEFENP está no modelo de atuação integrado. O centro nasce com a proposta de conectar diferentes setores da cadeia produtiva para acelerar o desenvolvimento de tecnologias e transformá-las em soluções aplicadas ao mercado.
De acordo com o Pesquisador em Propriedade Industrial, Pedro Veillard, o grande desafio agora é transformar conhecimento científico em produtos capazes de gerar impacto real no campo. “Precisamos tirar tecnologias das bancadas e transformá-las em produtos, processos e soluções que reduzam a dependência nacional e cheguem ao produtor rural”, afirmou.
Ele destaca ainda que o CEFENP busca aproximar pesquisa e mercado por meio de hubs regionais e temáticos, permitindo maior agilidade no desenvolvimento de soluções voltadas às condições brasileiras de solo, clima e temperatura.
Além disso, a iniciativa também pretende ampliar o acesso à tecnologia para pequenos produtores. “Mais de 50% dos produtores familiares nunca utilizaram nenhum tipo de insumo agrícola. Desenvolver soluções locais e acessíveis também faz parte desse desafio”, completou.
Tecnologias pensadas para a agricultura tropical
O Hub Fosfatados, inaugurado na UFV, será responsável por pesquisas relacionadas ao fósforo, nutriente essencial para a produtividade agrícola e um dos pilares da fertilização moderna.
Para o pesquisador da Embrapa, Juscimar da Silva, o centro representa a concretização de uma política nacional construída ao longo dos últimos anos. “O Brasil possui condições de solo e clima muito diferentes das encontradas em outros países. Muitas tecnologias importadas não respondem da mesma forma aqui. Por isso, precisamos desenvolver soluções voltadas à nossa realidade tropical”, explicou.
Segundo ele, além do desenvolvimento de novos fertilizantes, o trabalho também envolve pesquisas para aumentar a eficiência no aproveitamento dos nutrientes já presentes nos solos brasileiros. “A ideia é criar tecnologias que ajudem as plantas a utilizarem melhor os nutrientes disponíveis no solo, reduzindo a dependência externa e aumentando a eficiência agronômica”, destacou.
O CEFENP será composto por nove hubs temáticos espalhados pelo país, atuando em áreas como fósforo, nitrogênio, bioeconomia, remineralizadores, bioinsumos e escalonamento industrial.
Inovação para fortalecer o agro brasileiro
Para o professor Edson Mattiello, o centro preenche uma lacuna histórica na inovação do setor de fertilizantes no Brasil. “Estamos criando um ambiente que conecta todos os atores responsáveis por discutir seriamente a dependência de fertilizantes no país. Isso permite acelerar pesquisas, desenvolver novas tecnologias e aumentar a eficiência de uso dos fertilizantes”, afirmou.
Entre os projetos já em andamento estão estudos envolvendo fertilizantes fosfatados parcialmente acidulados, aproveitamento de rochas fosfáticas nacionais, uso de microrganismos e formulações enriquecidas com micronutrientes.
A proposta é ampliar a eficiência nutricional e criar soluções mais adaptadas às necessidades da agricultura brasileira.
FertMinas acompanha iniciativas voltadas ao futuro do setor
A participação da FertMinas na inauguração do CEFENP reforça o compromisso da empresa com iniciativas que promovam inovação, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da cadeia de fertilizantes no Brasil.
Em um momento em que o país debate segurança produtiva, sustentabilidade e autonomia no agronegócio, iniciativas como o CEFENP representam mais do que avanços científicos: apontam caminhos para um agro mais eficiente, resiliente e preparado para os desafios do futuro.





